Danço Congo

Vera Cruz

Não sendo original das Ilhas, supõe-se ter sido introduzido por trabalhadores vindos do Congo. É considerada a única dança gentílica e genuinamente africana de S. Tomé e Príncipe. Exibe-se ao ar livre, sendo as representações realizadas maioritariamente em festas religiosas ou populares. Os grupos são geralmente compostos por 26 a 28 elementos, nomeadamente um capitão, soldados, “Anzu Kantá” (anjos que cantam), “Anzu Môlê” (anjo que morre), um dragão (úkue), o feiticeiro e o seu ajudante “Zuguzugú”, bobos que por vezes adoptam a forma de mulher, vários tamboreiros e figurantes.

Esta dança frenética, colorida, espectacular, com uma vigorosa (quase violenta) coreografia, conta ao longo de vária horas a história de um homem rico que faleceu e deixou como herança aos seus quatro filhos (os bobos) uma extensa roça. Incapazes de cuidar da propriedade, estes pedem a colaboração do “Capitão do Congo”. Este, através de muitas artimanhas e muita dança irá proteger a propriedade dos ataques do feiticeiro e do diabo, não evitando porém a morte do “Anzu Môlê”.

O Danço Congo esteve proibido na época colonial porque as autoridades alegavam que o seu ritmo frenético extenuava os dançarinos, diminuindo o seu rendimento no trabalho.

O presente projeto fotográfico iniciado em 2016, é uma recolha de imagens dos principais grupos de Danço Congo de S. Tomé e Príncipe e pretende contribuir para a preservação da memória visual e cultural de um dos principais folclores das Ilhas.

O “Danço Congo de Vera cruz” foi o primeiro dos grupos fotografados. Através da convivência e partilha de experiências, foi possível observar e registar as difíceis condições de vida dos membros grupo. O peso desta herança cultural assenta sobre os ombros de homens e mulheres que apesar de castigados pela dureza de uma vivência a roçar o miserável, incorporam, amam e mantém vivo o Danço Congo.

Este projeto pretende também realizar uma recolha de fundos, que permitam no mínimo a renovação de todo o fardamento e instrumentos musicais do Grupo Vera Cruz e futuramente de todos os outros.

José Chambel